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  11/02/2010  
  Portal ORM  
  Caranguejo pode sumir do mapa no Pará em 15 anos
 
   
   
 

O caranguejo uçá, servido como iguaria em muitas mesas paraenses, deve sumir dos manguezais do Estado nos próximos 15 anos. O alerta é do promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural, Benedito Wilson Sá, que ingressou com procedimento administrativo preliminar para investigar a caça predatória da espécie. Por mês, pelo menos 350 mil animais são exportados, muito deles no período conhecido como 'troca de casco', quando ainda estão mais frágeis.

O Ministério Público pretende ingressar com uma recomendação para que o governo do Estado publique um decreto limitando a exportação da espécie. 'É preciso tomar uma providência para resguardar o ecossistema e o próprio mercado local. O que causa espanto é o exaurimento do mangue. Por isso, além de um estudo sobre os impactos nos manguezais da região nordeste do Estado, para servir de subsídio técnico, o Ministério Público vai tentar junto ao governo do Estado impor limitações para este tipo de exportação', diz.

Segundo o promotor, dos caranguejos exportados, pelo menos a metade não sobrevive até seu local de destino, seja pelo calor, pelo mau condicionamento durante o transporte (feito em pencas ou sacos) ou pela própria vida útil do animal fora do mangue, que é de no máximo seis dias. 'Estão levando este caranguejo para o Amapá e para boa parte da região Nordeste, em especial, Estados como Fortaleza, Natal e Paraíba. É muito tempo de viagem. Quando este caranguejo está trocando de casco, a vida útil dele fora do mangue cai pela metade', analisa o promotor.

Wilson Sá explica que a situação foi colocada em xeque pelos próprios vendedores de caranguejo, durante reunião na Sepaq (Secretaria Estadual de Aquicultura e Pesca). Eles chamaram a atenção para a escassez da espécie. Segundo o promotor, além da diminuição do volume de produtos que fica no mercado local, os caranguejos que estão sendo vendidos têm menos de sete centímetros de tórax, o que contraria a legislação ambiental; estão mais frágeis, o que evidencia que eles estão sendo retirados do mangue durante o período da troca de casco; e estão chegando mais caros ao consumidor.

O secretário-adjunto da Sepaq, Constatino Alcântara, reconhece as fragilidades do sistema de comercialização do caranguejo, mas afirma que editar um decreto proibindo a exportação do crustáceo é uma medida precipitada. 'Proibir a exportação é uma das saídas, mas não a única. Esta medida será problemática, porque estaremos abrindo um grande dilema social, já que milhares de pessoas sobrevivem dessa extração. Diferente de outros setores, estes trabalhadores não têm um instrumento, como o seguro-defeso', lembra.

Segundo ele, outro agravante é a falta de dados mais precisos sobre o setor. O Pará, por exemplo, não tem estatística atualizada sobre a produção de caranguejo no Estado, ou ainda, o número de pessoas que sobrevivem desta extração. 'Não existe uma associação ou uma organização entre os catadores. O que a gente acredita, e isso são apenas estimativas, é que pelo menos duas mil pessoas estão diretamente envolvidas na captura da espécie', estima.


 
   
   
 
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