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O Pará chega ao topo da produção pesqueira nacional - posição que até então era ocupada pelo Estado de Santa Catarina. Estudos preliminares da Sepaq (Secretaria Estadual de Pesca e Aquicultura) apontam para uma produção da ordem de 200 mil toneladas em 2009. Já o Estado de Santa Catarina produz anualmente em média 180 mil toneladas.
No entanto, metade do volume produzido pelo Pará está baseada em números estimativos e referem-se à pesca de subsistência - modalidade artesanal difícil de ser contabilizada. Comprovadamente, o Estado possui apenas 100 mil toneladas, resultante, em quase sua totalidade, da pesca industrial.
Os dados da Sepaq mostram ainda que a indústria pesqueira paraense emprega diretamente três mil funcionários - além de pelo menos 145 mil pescadores artesanais. O número de pessoas que atua de forma indireta no segmento da pesca no Estado também é grande, segundo informações da secretaria.
A produção do pescado no Pará é 80% para o consumo interno - e apenas 20% são destinados à exportação. A piramutaba e o camarão são as espécies favoritas da clientela paraense, formada principalmente pelo Japão, Estados Unidos e Europa. Belém é o município paraense que mais desembarcou pescado em 2008. Ao todo, foram 35.627 toneladas - valor que corresponde a 36% da produção estadual. Vigia (18 mil), Santarém (5,8 mil), Bragança (5,7 mil) e Abaetetuba (3,9 mil) completam a lista dos cinco principais municípios produtores de pescado no Pará.
Segundo o secretário em exercício da Sepaq, Constantino Alcântara, em breve poderá ser comprovado o volume produzido pela pesca de subsistência.
'A produção atual que está sendo contabilizada não leva em consideração a pesca na região do Xingu e tampouco os números da pesca de subsistência. Se forem incluídos estes dois parâmetros, o Pará bate a produção de Santa Catarina', revela.
Segundo o secretário, os números emperravam na metodologia que estava sendo utilizada. 'Não havia como computar a informação da produção artesanal. Contudo, estamos próximos de alcançar os índices reais, pois criamos parcerias com a Universidade Federal do Pará (UFPA), Eletronorte e outros projetos ligados à questão ambiental', revela.
De acordo com Mutsuo Asano Filho, professor do Instituto Sicioambiental de Recursos Hídricos (Isar) da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), para que o Pará se torne líder no ranking nacional da pesca, é preciso aumentar os investimentos no setor. "Algumas coisas boas estão acontecendo nos últimos anos. As empresas ficaram mais organizadas e começaram a nvestir. Também tivemos a criação do Ministério da Pesca e Aquicultura, que incentiva o segmento. Mas ainda falta investimento para que possa se desenvolver um planejamento e um ordenamento pesqueiro", avalia. O professor destaca que o estudo tem melhorado bastante. "Estamos avançando com as pesquisas e sabemos o potencial do Pará, que tem uma pesca industrial muito forte", afirma.
NACIONAL
No último ranking nacional apresentado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), com números referentes a 2007, o Esado de Santa Catarina era responsável pela produção de 184.493,5 toneladas - ou seja 17,20% o volume produzido nacionalmente. Com isso, o mercado catarinense era o maior produtor de pescado do Brasil. No mesmo período, o Pará estava na segunda colocação, com 12,12% de participação na produção brasileira e beneficiamento de 129.981,5 toneladas.
O Liberal
Caderno Poder - pg. 2
26 de janeiro de 2010
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